O que entendo sobre o amor, ou porquê romantizar as relações é uma idealização
- Anna R.F.Kopper
- 25 de abr. de 2023
- 2 min de leitura

“Quem inventou o amor, me explica por favor”. (Antes das seis. Compositores: Renato Manfredini Junior / Eduardo Dutra Villa Lobos)
Desde crianças, cultural e socialmente somos induzidos e conduzidos a pensar relações de forma total e absoluta. O que quero dizer com isso? Que a forma como lidamos, desde lá, também com o amor é em um sentido de completude. Como se fossemos incompletos e precisássemos de alguém que nos preenchesse.
Aquela "metade da laranja", a "tampa da panela".
Histórias de contos de fadas, nos quais a mocinha espera um príncipe encantado, que, normalmente, vai salvá-la da opressão, e viveriam felizes para sempre.
Construções sociais em que o cuidado, a disciplina, a posse, o ciúme são confundidos com amor.
Livros, filmes, músicas idealizando relações, apresentando uma versão do amor que não condiz necessariamente com a realidade concreta.
E, veja, isso não se restringe aos relacionamentos afetivo-sexuais, "românticos".
Observa as construções de amor de pai e mãe, amor de irmão, "melhor" amigo/a, amor de filho/a, a relação com o trabalho.
A expectativa é que esse amor baste para a pessoa como se fosse uma coisa acabada e total.
Mas, em nome do amor as crianças são subjugadas, humilhadas, disciplinadas.
Em nome do amor, as pessoas são agredidas, objetificadas, violentadas. Idealizadas.
Que amor é esse? A quem ele serve?
Engraçado, pra mim, é que, pessoalmente, sempre fui uma pessoa romântica. Meu gênero de filme e livro preferido ainda é o gênero “romance”.
Apareceu como um problema pra mim na medida em que eu extrapolava a fantasia da arte para a vida. Então, eu era de "acreditar" em finais felizes, de buscar e esperar amizades duradouras, de achar que, por serem familiares próximos, todos deveriam ser íntimos, essas coisas bem idealizadas e imaturas...
E nos últimos tempos, tenho revisitado essa minha visão romântica das relações. Tirei o filtro da perfeição e do ideal e coloquei uma lente do empenho e do empreendimento.
Um "romance", uma amizade, a parentalidade, a maternidade, a fraternidade e a filialidade (existe?) são relações construídas. Alimentadas. Estimuladas. Ajustadas. Retomadas. Não estão dadas, não são eternas e não nos preenchem completamente, pois não tem essa função na nossa vida.
Gosto muito de duas definições de amor, uma, apresentada por Scott Peck, que diz que o amor é “a vontade de se empenhar ao máximo para promover o próprio crescimento espiritual ou de outra pessoa.”. E a outra definição, do Sartre “ amor é empreendimento”. Ambas as definições apresentam o caráter de ação que o amor tem. Não é algo inato ou intuitivo, como somos ensinadas/os a pensar desde sempre.
Mas demanda. Implica esforço, implica disposição.
Isso abre um campo de possibilidades e, especialmente, nos coloca a pensar no que suportamos e toleramos em nome do amor.
Meu desejo é que possamos construir relações mais respeitosas, com base em uma atitude amorosa.
se este tema te interessa, deixo quatro referências de livros:
Bell Hooks, Tudo sobre o Amor.
Ana Suy, A gente mira no amor e acerta na solidão.
Erich Fromm. A Arte do amor.
Gary Chapman. As cinco linguagens do amor.



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